Eu quero ir fundo nesse musgo, nesse caos ilusório. Quero ir no
magma dos sentimentos mais ardentes, que queimam como carbono em
brasa.
Olho nos seus olhos e logo o cerrar das tuas palpebras cantam
Don't go away lentamente, em cada piscadela sem jeito.
Você criou asas de plástico e vôou pra longe... Cuidado com as
buzinas! Elas assustam e te trazem a realidade... Pobre Voador.
Eu quero chafurdar nessa imundície de ossos e sangue que tem
dentro de mim.
Consegue perceber? Olha pra baixo, não dá tanto medo, só não
prestar atenção nas buzinas maiores, as pequenas, até alegram o
ambiente. Percebe? Olha principalmente para os pés de que vem, são
todos virados para a inocência perdida. Hei, eu disse pra olhar
para os pés de quem vem, os de quem foram estão em outras
buscas.
Ai como é incrédulo esse Voador!
Eu quero enterrar metade de mim na bagunça que minha mémoria faz
quando acorda.
Don't go away, don't go away... Forever and ever we'll go on...
Por favor, pare de piscar.
Aquele moço ali, vê? Claro que você vê! Daí do alto todos vêem
melhor. Olha lá. Ele tem os pés virados para a moça de amarelo. Não
pequeno Voador, é um interesse corpóreo: Ele a quer.
Eu quero deitar por cima dos ferros cinzentos que cautelosamente
colocam em mim.
Perto do sol não, caro protótipo de Icaro! Don't go away, don't
go away. There's no other place where you belong... Céus, Voador!
Pare de piscar!
A moça de amarelo distancia inconscientemente os seios do tórax
do moço com os pés virados para ela. O moço, com seu interesse
aparente, incomodado com a distância se aproxima dela. BINGO! Estás
ficando esperto meu caro. Ele a quer...
Eu quero afundar na imensidão úmida dos mais confusos
ideais.
Quer descer? Desculpe, não posso ajudá-lo. É que agora, eu tenho
asas e não quero descer.
Don't go away, don't go away. I've given to you, baby, all my
love. Desculpe, agora eu estou a piscar.
Eu quero lançar as flechas que penetram com envenenamento minha
própria ramificação.
Voadores, pobres Voadores.
Comentários