Home Data de criação : 08/09/26 Última atualização : 11/10/17 19:54 / 62 Artigos publicados

MUDANÇA DE ENDEREÇO  escrito em sexta 14 agosto 2009 16:41

Caros, por motivo de vaidade, mudei de endereço

 

http://palasadanyblues.blogspot.com/

"Lu Palasadany Agarrada numa noite em Si bemol"

 

Obrigada pelo carinho de todos que vêm ate aqui prestigiar tais palavras, peço que façam suas malas e embarquem para o outro endereço.

 

'obrigadinha'

 

 

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Peixe Voador  escrito em quinta 13 agosto 2009 12:16

Eu quero ir fundo nesse musgo, nesse caos ilusório. Quero ir no magma dos sentimentos mais ardentes, que queimam como carbono em brasa.

Olho nos seus olhos e logo o cerrar das tuas palpebras cantam Don't go away lentamente, em cada piscadela sem jeito.

Você criou asas de plástico e vôou pra longe... Cuidado com as buzinas! Elas assustam e te trazem a realidade... Pobre Voador.

Eu quero chafurdar nessa imundície de ossos e sangue que tem dentro de mim.

Consegue perceber? Olha pra baixo, não dá tanto medo, só não prestar atenção nas buzinas maiores, as pequenas, até alegram o ambiente. Percebe? Olha principalmente para os pés de que vem, são todos virados para a inocência perdida. Hei, eu disse pra olhar para os pés de quem vem, os de quem foram estão em outras buscas.

Ai como é incrédulo esse Voador!

Eu quero enterrar metade de mim na bagunça que minha mémoria faz quando acorda.

Don't go away, don't go away... Forever and ever we'll go on... Por favor, pare de piscar.

Aquele moço ali, vê? Claro que você vê! Daí do alto todos vêem melhor. Olha lá. Ele tem os pés virados para a moça de amarelo. Não pequeno Voador, é um interesse corpóreo: Ele a quer.

Eu quero deitar por cima dos ferros cinzentos que cautelosamente colocam em mim.

Perto do sol não, caro protótipo de Icaro! Don't go away, don't go away. There's no other place where you belong... Céus, Voador! Pare de piscar!

A moça de amarelo distancia inconscientemente os seios do tórax do moço com os pés virados para ela. O moço, com seu interesse aparente, incomodado com a distância se aproxima dela. BINGO! Estás ficando esperto meu caro. Ele a quer...

Eu quero afundar na imensidão úmida dos mais confusos ideais.

Quer descer? Desculpe, não posso ajudá-lo. É que agora, eu tenho asas e não quero descer.

Don't go away, don't go away. I've given to you, baby, all my love. Desculpe, agora eu estou a piscar.

Eu quero lançar as flechas que penetram com envenenamento minha própria ramificação.

Voadores, pobres Voadores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Inverno  escrito em terça 11 agosto 2009 01:56

No dia em que fui mais feliz

Eu vi um avião

Se espelhar no seu olhar até sumir

De lá pra cá não sei

Caminho ao longo do canal

Faço longas cartas pra ninguém

E o inverno no Leblon é quase glacial

Há algo que jamais se esclareceu

Onde foi exatamente que larguei

Naquele dia mesmo

O leão que sempre cavalguei

Lá mesmo esqueci que o destino

Sempre me quis só no deserto sem saudade, sem remorso só

Sem amarras, barco embriagado ao mar

Não sei o que em mim

Só quer me lembrar

Que um dia o céu reuniu-se à terra um instante por nós dois pouco antes do ocidente se assombrar.

No dia em que fui mais feliz

Eu vi um avião

Se espelhar no seu olhar até sumir

De lá pra cá não sei

 

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Maria João, texto mínimo.  escrito em terça 04 agosto 2009 13:22

Unhas vermelhas.

Pêlos loiros.

Boca rosada.

Nariz esbranquiçado.

É teu corpo que vislumbra a minha lente que, em zoom, percebe os mecanismos da tua sedução.

Calei-me.

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Chamando vôo 2.0  escrito em terça 04 agosto 2009 12:42

Seria essa, mais uma noite em aberto? Que seja. Mas dessa vez, ela tem um claro diferente. Luz de velas. Quantas eram? 5, 9, 12... Não importa. Eram (É) (São) velas. A luz acabou. Pergunta mais estúpida! Por que estou com velas acesas. A luz acabou. ACABOU. E junto com a vinda das velas, parafina histórica, vieram juntos pensamentos de confusão. E de motim também, talvez. (Mas só talvez). Simplesmente porque me pergunto - confusamente – Por que não tenho um único Amor. Por que não posso escrever sobre ele verdadeiramente, sem inventar estórias de paixão não correspondida, de sexo não gozado, de beijos não roubados, de viagens não feitas. Por quê? Por quê? Por quê? Porque amo a tudo! Porque quero a tudo. Porque me abro como girassol ao sol do coletivo. Porque quero o gosto de tudo, com exageros mil e com arrotos de satisfação da alma. Me chega também, nesse momento, a pergunta mais intrometida da noite: Sou feliz? Ora, ora! Que pergunta hidrófoba! Claro que não. Se eu fosse feliz anjo, eu não estaria escrevendo tais infortúnios, me ocuparia simplesmente, em existir. Que pergunta... Inverno. Frio azul. Azul como borboleta da lua, de asas machucadas. Feridas incicatrizáveis, fétidas, doloridas. O frio que grita bem dentro do ouvido sujo, alfineta como ponta de seringa e injeta o antídoto da sobre-vivência. Sub–vivência. Se me atirar, for de encontro com a parede vizinha, engolir dois frascos de pilulazinhas brancas, ou talvez azuis como o frio, sentirei calor? Saltarei do inverno marinho para o verão alaranjado? Ora, vejam só! Mais perguntas! Não senhor João, senhor José, senhor Puta que o Pariu, não sou alegre nem tão pouco satisfeita! Sou humana. Quer mais? Sou bicho sujo com asas machucadas, com feridas hereditárias. Sou o verme e a erva danosa. Sou o micróbio que perambula pela sua narina escaldante (porque vocês senhores, residem no calor, naquele verão alaranjado). Sou bem-aventurada, então. Porque fico aqui, demente e encolhida, no frio do inverno. Vendo o mundo girar bem na ponta do meu nariz. Não preciso ser. Você me entende?
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